5 filmes que falam sobre o suicídio + Conversa com o profissional

By Aline Braga - setembro 26, 2019


O mês de setembro é marcado por ações que visam conscientizar as pessoas sobre o suicídio. São discutidas as causas, os sintomas e como prevenir esse mal que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta 800 mil pessoas por ano em nosso país. Essas iniciativas geralmente partem de organizações de setores públicos e privados e por profissionais de saúde da área da psicologia e psiquiatria. Mas também é possível conscientizar sobre o suicídio por outro âmbito: a arte.

O cinema, por exemplo, conta com diversas obras que retratam a vida de pessoas que sofrem com pensamentos suicidas ou que convivem com alguém assim. Também segundo a OMS, os casos de suicídio geralmente estão ligados à transtornos psicológicos como depressão, ansiedade, síndrome do pânico, bipolaridade, entre outros. Para combater o suicídio, essas nuances devem ser discutidas e debatidas, deixando os tabus e preconceitos de lado. 

Aqui, você vai encontrar uma lista de filmes com a temática, que também podem ser usados como uma ferramenta para enriquecer as discussões sobre o suicídio, pois tratam das mais diversas causas e problemas que podem levar ao suicídio. No final, você também vai encontrar uma entrevista com uma psicóloga sobre o assunto, no quadro “Conversa com o profissional”, novo aqui no blog. Bora lá? 

As vantagens de Ser Invisível (2012)
Frase: “Então, esta é a minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim”


Segundo a Organização Pan-Amarericana da Saúde (OPAS), o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil e o número de deprimidos nessa faixa etária tem crescido a cada ano. No cinema, também existem obras que retratam essa realidade. Baseado no filme de mesmo nome, As vantagens de ser invisível conta a história de Charlie (Logan Lermman), um adolescente que está se recuperando de uma depressão e da morte do melhor amigo, que se suicidou com um tiro na cabeça. O filme, que parece ser mais um drama adolescente, vai muito mais além disso ao tratar de temas complexos, que o público descobre à medida que os fatos são revelados.

Toda a história é contada sob a perspectiva do garoto, mas apesar disso, não conseguimos entender imediatamente as causas da doença e o motivo dele não confiar em ninguém. Nem em seus familiares mais próximos, até que conhece os veteranos Sam (Emma Watson) e Patrick (Ezra Miller). Então começamos a descobrir o que de fato aconteceu e acompanhamos a batalha do personagem para vencer esses traumas. 

Dirigido por Stephen Chbosky, que também escreveu o roteiro e o livro que deu origem à obra, o filme vai muito além do esperado: é um drama de amadurecimento que trata de problemas complexos com muita sensibilidade. Nele podemos conhecer um pouco da depressão causada por estresse pós-traumático e tudo que essa doença pode causar na vida de um adolescente. 

O lado bom da vida (2012)
Frase: “Não quero ficar no lugar ruim, em que ninguém acredita no lado bom das coisas, no amor ou em finais felizes”

O lado bom da vida é um filme que vai te fazer rir, chorar e pensar na vida. Tudo ao mesmo tempo. A obra, que rendeu um Oscar de melhor atriz para a Jennifer Lawrence, começa contando a história de Pat Solitano Jr. (Bradley Cooper), um homem que acabou de perder tudo: emprego, casamento, casa, a liberdade e até sua sanidade mental. Após ser diagnosticado com bipolaridade, ele passa um tempo internado em uma clínica pisquiátrica e depois volta para sua família. É aí que a história começa.

Ele conhece Tiffany (interpretada pela Lawrence), uma mulher de personalidade forte e aparentemente intimidadora, que também está passando por problemas psicológicos. De cara, já dá pra saber que tudo aquilo pode dar muito errado. Mas, no decorrer da história, a relação dos dois acaba os ajudando a superar aquele momento difícil.

O longa, que é inspirado no filme de mesmo nome, escrito pelo autor Matthew Quick, e dirigido pelo David O. Russel, nos faz refletir sobre otimismo e pessimismo e como devemos saber dosar esses dois sentimentos ao longo da vida. O lado bom da vida, como o próprio nome diz, mostra como sempre podemos encontrar uma saída quando achamos que a história chegou ao final. E se não basta a minha indicação, a própria Academia reconheceu o acerto do filme: além da categoria em que saiu vencedor, melhor atriz, a obra recebeu mais 8 indicações ao Oscar. 

A liberdade é azul (1993)
Frase: “Vivemos clamando pela liberdade, mas raramente estamos dispostos a exercê-la”

A liberdade é azul é o primeiro filme da trilogia das cores do diretor polonês Krystof Kieslowski. Os três filmes tem uma cor no título (azul, branco e vermelho), uma suposta homenagem à bandeira da França. Essa introdução não diz muito sobre o tema desse post, certo? Errado. No cinema, as cores frias, principalmente os tons de azul, tendem a passar uma sensação de melancolia, introspecção, tristeza, solidão e até de frio. Te lembra alguma coisa? Pois é.

Mas para além do título, o longa conta a história de Julie (Juliette Binoche), uma mulher que perde o marido e a filha em um acidente de carro e precisa aprender a conviver com o luto. Depois do ocorrido, a personagem dispõe de “liberdade”, já que agora não tem responsabilidades nem amarras. Pode escolher o que fazer e onde trabalhar, sem preocupações.

Entretanto, assim como a cor azul, Julie está melancólica, em depressão. Lançado em 1993, o filme ainda é muito atual quando se trata do tema. É um filme muito sensível, que fala sobre a doença de uma maneira muito realista, sem um personagem que supera todos os seus problemas e vira um herói: o que se aproxima bem mais da nossa realidade, né?

As faces de Hellen (2009)
Frase: “Não é comum, alguns escondem muito bem. Devia ver os atores que temos na ala do suicídio” 

Essa obra traz uma história muito interessante e que retrata bem como a depressão e os pensamentos suicidas podem ser destrutivos e silenciosos. Hellen (Ashley Judd) tem uma vida perfeita: é bem sucedida em sua carreira de professora de música, é uma mãe amorosa e é apaixonada pelo marido. Mas existe um segredo: ela é portadora de transtorno bipolar e esconde isso de todos.

No decorrer do filme, percebemos que, assim como acontece na vida real, quem tem essa doença, não consegue esconder por muito tempo. Uma hora ou outra, no momento mais banal, uma crise pode acontecer. A obra também retrata o quão prejudicial pode ser a demora para procurar ajuda, tanto para quem sofre com o problema, como para quem convive com a pessoa.

Dirigido por Sandra Nettelbeck, As faces de Hellen é uma boa pedida para quem quer saber mais sobre o transtorno bipolar, o tratamento e a adaptação a ele, além das consequências de um tratamento tardio e da importância do apoio a quem passa pelo problema.

Pequena Miss Sunshine (2006)

Ao contrário do título do filme, a família Hoover não tem tanta luz. Como muitas famílias, eles passam longe do conceito de perfeição. Eu diria que são até mesmo distantes da normalidade e tranquilidade. Mas é justamente esse o principal ponto do filme, cheios de problemas e frustrações, eles depositam na filha mais nova, Olive (Abigail Breslin) toda a esperança de trazer um pouco de alegria para a família.

Em algum nível, todos os membros da família tem problemas com depressão - ou alguma outra peculiaridade psicológica. No decorrer da trama, é possível notar como todos acabam se aproximando, chegando na lição do filme: nós não precisamos passar por situações difíceis sozinhos.
A obra de Jonathan Dayton e Valerie Faris mistura drama e comédia, fazendo você querer rir e chorar enquanto acompanha a história daquela família - e talvez até lembrar da sua. Padrões de beleza e conceitos como felicidade, fracasso e sucesso são muito discutidos ao longo do filme. O filme venceu 2 categorias no Oscar - melhor roteiro original e melhor ator coadjuvante - e foi indicado para mais duas - melhor filme e melhor atriz.

Conversa com o profissional

Essa parte aqui no blog é nova: de vez em quando, quero trazer um profissional das mais diversas áreas para falar de assuntos em que são especialistas. Para começar, convidei a psicóloga Thaymara Félix, graduada em Psicologia pela Universidade Potiguar, especializada em políticas públicas de atenção à família e formação em Gestalt e Psicooncologia. Confira a entrevista abaixo: 

O que é o Setembro Amarelo?
O setembro Amarelo é uma uma iniciativa brasileira que surgiu em 2015 do Centro de valorização a vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação brasileira de Psi(ABP) com o intuito de fomentar espaços de reflexão, discussão e principalmente a prevenção do suicídio. 

A depressão e o suicídio ainda são tabus. De que forma o Setembro Amarelo contribui para transformar essa realidade?
Sim, é verdade. Crescemos em uma sociedade que muitas vezes ainda não é permitido falar sobre suas inquietações, dores e sofrimentos. E aí a campanha vem com uma perspectiva de ir alcançando as pessoas se forma direta e indiretamente. Através de palestras, divulgações em redes sociais, conversas informais, espaços públicos e privados.

Quais são os principais sintomas de alguém depressivo?
Os sintomas mais comuns são ansiedade, angústia, falta de interesse social desânimo, humor depreciativo, sentimento medo, indecisão, melancolia, tristeza, pensamentos automáticos negativos e a ideação suicida. No entanto, também podem surgir sintomas físicos, como dores de cabeça constante ou qualquer outro tipo de dor sem explicação científica.

O que pode causar essa doença? 
Os aspectos que podem levar ao desenvolvimento de uma depressão podem ser multifatoriais. Aspectos orgânicos e genéticos devem ser levados em consideração, mas o contexto social e ambiental que o indivíduo se encontra é uma ferramenta potente para propiciar a depressão. E aquilo que não é falado gera muito sofrimento, vulnerabilidade e falta de suporte para sustentar.  

O que fazer quando alguém próximo está passando por isso?
Ter sensibilidade para perguntar sobre suas ideias e pensamentos sem julgamentos e comparações, escuta atenta e muito cuidadosa, respeitando a pessoa sem viés religioso e ou moral e indicar um profissional capacitado, fazendo o movimento mesmo de levá-la acompanhando, pois quem está fragilizado e desesperançoso não busca ajuda de forma espontânea. 

Onde as pessoas podem procurar ajuda?
Em CAPS, UBSs, UPAs, SAMU, hospitais e CVV (188).


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