Desculpe o transtorno, preciso falar sobre a Robin Scherbatsky

16:31:00



Antes de começar a escrever efetivamente sobre o assunto que pretendo tratar nesse texto, me deixem situar vocês. Robin Scherbatsky é uma personagem da série de comédia How I Met Your Mother, já finalizada. Ela é uma jornalista que saiu do Canadá para Nova Iorque, nos Estados Unidos, em busca de reconhecimento na profissão. Com pouco tempo na cidade, ela conhece o Ted, personagem principal da série, que imediatamente se apaixona por ela. Sim, amor à primeira vista.
Robin Scherbatsky Ted Mosby
Eu não acompanhei a série na época da exibição, mas há algum tempo eu assisti as 9 temporadas e me apaixonei o suficiente pra fazer isso duas vezes (e tô assistindo de novo, sorry not sorry). Desde que isso aconteceu, eu comecei a curtir páginas e seguir perfis relacionados à série e uma coisa me incomodou bastante: a maioria dos fãs da série criaram uma espécie de aversão à personagem Robin, visto que ela nunca cedeu à insistência do Ted de aceitar o seu amor e seu projeto de família perfeita.
Ora, como ousa uma mulher rejeitar um bom marido, filhos e uma boa vida como dona de casa e rainha do lar? Robin rejeitou. E não foram poucas as vezes que eu li comentários chamando-a de vadia por esse motivo. Não vadia do tipo “dá pra qualquer um” ou “traiu várias vezes” — sabemos bem quem traiu, né, amigos? —, vadia porque ela fez o cara bacana que ofereceu amor sofrer.
Mas me deixe dizer uma coisa: não, a Robin não é uma vadia. Ela foi sincera desde o começo. Ela sempre disse que não podia sustentar nada maior do que algo apenas casual. Ted se iludiu sozinho. Ele é quem sempre correu atrás quando a própria Robin levantou diversas bandeiras vermelhas.

Robin em nenhum momento se enquadra como a personagem perfeita de uma comédia romântica. Muito pelo contrário! Robin passa longe de qualquer coisa que se relacione à romantismo. Ela é diferente. Ela é durona. Ela prefere whiskey. Ela não sonha em encontrar o amor da vida dela. Ela não sonha em casar e ter filhos. Ela busca, o tempo todo, sua independência econômica, social e, principalmente, amorosa. Robin é ambiciosa e, acredite, nossa sociedade não suporta mulheres assim. Não me entenda mal, não quero dizer que querer encontrar o amor da sua vida, casar de véu e grinalda e ter dois filhos e um cachorro seja ruim. Mas é que existe um monte de “Robins” por aí que são julgadas tanto quanto a personagem por não quererem a mesma coisa.
Ted decidiu que seria Robin a mulher da sua vida desde o primeiro episódio, quando ele aponta pra ela e diz para o Barney “vê aquela garota, eu vou casar com ela algum dia” e quando ele disse que estava apaixonado por ela no primeiro encontro. Mas ele não considerou o que ela queria. Mesmo ela deixando bem claro. Para conquistá-la, ele roubou uma trompa azul, depois levou até ela uma orquestra azul inteira, levou flores, chocolates etc etc etc. Mas esqueceu o mais importante: eles queriam coisas diferentes. E a Robin não tem culpa disso. Não tem culpa do Ted ter se apaixonado por ela. Não tem culpa se as ambições dos dois não são compatíveis. E isso não é motivo para chamar a personagem de vadia.
Robin desde o primeiro episódio disse que precisava focar em sua carreira. Que queria viajar, conhecer o mundo. E ela foi. Japão, Argentina, Grécia e outros países fizeram parte da lista de países onde Robin trabalhou. Ela conquistou seus objetivos. E esse fato deveria ser suficiente para tornar a personagem alguém admirável. Mas não foi. Uma mulher que ousa recusar a possibilidade de ser mãe e esposa de um cara bacana não é digna de ser admirada, certo? Errado. Nenhuma mulher precisa ser o que a sociedade quer que ela seja para ser admirada e, no mínimo, respeitada. Robin não é uma vadia só porque partiu o coração de um cara que já estava avisado de que nada seria do jeito que ele esperava.
Então se você, assim como eu, se identifica com a personagem. Se identifica com a Robin que não se sente bem falando de sentimentos. Com a Robin chorando bêbada embaixo da mesa agarrada com uma garrafa de vinho. Com a Robin que é ambiciosa e almeja conquistar sucesso em sua carreira profissional. Se você é assim, orgulhe-se. Isso não te faz uma vadia.
E repito: não quero dizer que sonhar com uma vida comum, com marido e filhos seja uma coisa ruim. Muito pelo contrário. Mas você também pode não querer abrir mão do seu trabalho ou dos seus sonhos só pra ser “o amor da vida de alguém”. Tá tudo bem ser a Lily, tá tudo bem ser a Tracy/Mother, e tá tudo bem ser a Robin. Tá tudo bem ser quem você quiser.

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20 comentários

  1. Parabéns, você é maravilhosamente chata, parabéns por problematizar uma serie sem ao menos entender o personagem.

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  2. Sou amante da série e gostei muito do seu texto. Me identifiquei mil vezes com o Ted, em alguns casos me pegava pensando "puts, eu faria isso..."!
    Apesar de me ver na pele do Ted as 9 temporadas, nunca rotulei a Robin como vilã ou culpada. As pessoas podem querer coisas diferentes e tudo bem com isso.
    Comecei a assistir a série esse ano e vi tudo em 3 meses. Foram meses que aprendi ainda mais a respeitar o espaço e as vontades alheias.
    Tenho um blog que posto alguns pequenos texto, se puder, dê uma olhada no blog "Devaneios Maltinos".
    Parabéns e continue produzindo novos textos.

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    1. Eu também aprendi muito com essa série, Mateus! Ela nos ensina muita coisa sobre a vida. Obrigada por comentar e com certeza vou retribuir a visita no seu blog! <3

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  3. Quando vi os haters da Robin, comecei a achar que eu tinha perdido alguma coisa da série... Adorei o texto! Perfeito! Acho que Robin incomodou tanto por ser uma mulher com comportamentos que a massa acharia normais se viessem de um homem... como era uma mulher, óbvio, tá errado. É triste...

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    1. Exatamente isso, Gisele! A sociedade não aceita mulheres com a personalidade da Robin, mas acredito que, um dia, nós vamos mudar isso! Fico feliz que tenha gostado do texto <3

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  4. Aaaaaah eu ameeeei , muito muito , esse texto. 😍😍😍😍

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  5. Admiro bastante o seu objetivo de querer desconstruir essa imagem ruim da Robin mas NÃO CONSIGO TERMINAR O TEXTO. Eu sou apaixonada pela série, eu amo Ted, Robin, Lily, Marshal e Barney, cada um com seu jeito. Não adianta colocar a Robin pra cima se vai colocar Ted pra baixo (foi apenas isso q eu vi na primeira parte do texto). Eu realmente concordo q A ROBIN É ÓTIMA EXATAMENTE DO JEITO Q ELA É, mas vc só tá colocando a culpa pro Ted. Sabe aquelas pessoas q criticam a Robin? Vc se tornou uma delas.

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    1. Olá, Anne! Se você tivesse terminado o texto, teria notado que a intenção aqui não é diminuir o Ted, ou os sentimentos dele. O que eu quis dizer com o texto é que está tudo bem se sentir como a Robin numa sociedade que julga mulheres como ela. É bom a gente ler o conteúdo completo antes de criticar, sabe? Mas de qualquer forma, obrigada pelo comentário :)

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  6. Ahhhhhhh que texto maravilhoso! A Robin é minha personagem preferida da série e eu concordo em tudo que você mencionou no texto. Sempre fico com raiva quando chamam a Robin de vadia porque ela quis seguir seus sonhos da carreira e não ficou com o Ted, ou até mesmo porque o casamento dela com o Barney não deu certo porque ela sempre priorizou a carreira.

    Ganhou uma leitora! :)
    Janela de Sorrisos

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    1. Obrigada, Thaís! Eu fico com tanta raiva quanto você quando chamam a Robin de vadia, quando na verdade ela é apenas humana. :)

      E seu blog é maravilhoso! Ganhou uma leitora também! <3

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  7. Damn, girl! Maravilhoso. Nem vejo a série. Mas é aquele mesmo lance de "500 dias com ela", né? Tipo, não é porque o cara é super legal contigo e te ama que cê tem que ficar com ele. Ei, pera lá. Ela precisava sentir também. E isso deveria sim ser mais compreendido pela sociedade. Aos desavisados: tudo bem, homens também passam por isso, claro, mas falemos de mulheres agora, tá? depois a gente chega em vocês. tem uma disparidade de diferença aqui.

    obs: perdoe o sarcasmo. amo esse texto já. e vou usar esse título no meu próximo texto. quem sabe não é sobre você?

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    1. É exatamente isso! A Robin é uma espécie de Summer. E a gente precisa compreender isso!

      Obrigada pelo comentário :)

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