Anitta: o talento e o marketing

By Aline Braga - julho 24, 2017


Há muito os brasileiros (principalmente o público LGBT) estavam “sedeeeentos” por uma diva pop para chamar de sua. Em 2012, Larissa de Macedo Machado, a Anitta, lançava smash hit “Show das Poderosas”. Hoje, a cantora é a única brasileira presente no Social 50 da Billboard (ranking da popularidade de artistas nas redes sociais) e seu último single, “Paradinha”, quebrou o recorde de vídeo mais visto em 24 horas no YouTube e, no Spotify, a música teve mais de 500 mil execuções em seu dia de estreia. “Paradinha” ficou mais de um mês no topo das paradas do Spotify Brasil.
O posto foi assumido, mas o processo que levou Larissa a se tornar Anitta (ou Anira, para os mais íntimos) ainda intriga muita gente. Alguns dizem que foi sorte, outros que ela é “apenas um caso de marketing”. Eu acho que é muito mais. Anitta uniu talento, inteligência, obviamente o marketing e muuuuito trabalho duro para merecer a coroa de rainha do pop brasileiro. Pensando nisso, resolvi listar e analisar aqui alguns acontecimentos importantes da carreira da cantora que provam que ela é muito mais do que um caso de marketing. Então coloca sua playlist da Anitta pra tocar, se acomoda na cadeira e vem descobrir comigo o que faz da Anitta essa poderosa!

O começo de tudo
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Anitta, quando ainda era Larissa, estagiava numa empresa enquanto fazia um curso técnico de administração. Nas horas vagas, sonhava em ser cantora e publicava vídeos cantando na internet. A voz e o carisma de Larissa chamou a atenção de um empresário, que decidiu investir na carreira da garota, a lançando no funk carioca. E assim nasceu Anitta. A partir daqui, devemos observar a cantora como um produto. E todo produto precisa ser consumido.
Desde o começo, todos os passos de sua carreira foram milimetricamente pensados. Em uma entrevista, a própria confessou que o sucesso de Show das Poderosas já era um pouco esperado. A letra da canção - com muitas palavras proparoxítonas - foi escrita propositalmente para ser daquelas que grudam na cabeça, e os singles e clipes lançados antes do hit foram uma espécie de preparação para o sucesso de Show das Poderosas (e garantiram para ela um contrato com a Warner Music). Mas o retorno foi maior do que se imaginava, então Anitta e sua gravadora tiveram que produzir um álbum às pressas para acompanhar o sucesso do single.
Vale salientar que essa fórmula que consiste em letras simples + coreografia deu tão certo com Show das Poderosas que ela repetiu a dose com as músicas Bang, Sim ou Não e Paradinha, por exemplo.

Pitty x Anitta: como a artista aprendeu a ser uma pessoa pública

Com o sucesso chegando, Anitta começou a ser convidada a participar de vários programas de televisão. Em um deles, o Altas Horas, apresentado pelo Serginho Groisman, com uma plateia cheia de homens e apenas mulheres convidadas, a funkeira se envolveu em uma discussão sobre conquista de direitos e liberdade sexual feminina. Enquanto Anitta dizia que as mulheres “dão muito em cima dos homens” e por isso eles “não acham legal”, e que as mulheres já tinham conquistado todos os direitos pelo qual lutavam, a cantora Pitty saiu em defesa das mulheres e rebateu, dizendo que “Nós ainda não temos os mesmos direitos” e que eles não tem que achar nada.
Nas redes sociais, o impacto dessa polêmica foi extremamente negativo para a intérprete de Show das Poderosas. Lembro muito bem que todo mundo comentou sobre “o pisão que a Pitty deu na Anitta”. Mas acreditem, essa discussão foi de extrema importância para a construção de pessoa pública da cantora. Passada a polêmica, Anitta, pouco a pouco, foi mudando seu discurso e sua postura sobre alguns assuntos, incluindo liberdade feminina, de modo que ele agradasse a gregos e troianos. Não sei se isso é mérito de algum media training, mas essa mudança na postura da cantora foi tão efetiva, que hoje ela é aplaudida por seus discursos e posicionamentos, seja em shows ou programas de TV.



Um dos meus discursos preferidos da Anitta. “Eu prefiro ser sozinha do que ser subordinada” é um lema, né?

Cross Media
Toda vez que a Anitta vai lançar alguma coisa, seja música, álbum ou videoclipe, existe uma mobilização massiva por toda internet, principalmente nas redes sociais. Twitter, Instagram, Facebook, YouTube, Spotify e outros serviços de streaming de música estão todos, ao mesmo tempo, engajados na divulgação do produto. Esse tipo de ação, nos estudos de marketing, é conceituado como Cross Media. Nesse conceito, o conteúdo - no caso o produto - é distribuído em diferentes tipos de mídia, com a intenção de atingir o máximo de público possível. Quem acompanha seu trabalho sabe o quanto ela é profissional nisso.

Material produzido principalmente para a internet
Além de utilizar todos os meios possíveis para divulgar suas músicas, Anitta também produz o conteúdo de acordo com a plataforma. Vídeos mais curtos tem mais possibilidade de engajamento e de viralização no YouTube, por isso, desde Show das Poderosas, a cantora tem investido em vídeos de, no máximo, 3 minutos. Esse tipo de formato, junto com o cross media, possibilita muito mais visualizações e garante para a Anitta vários recordes na plataforma.

Versatilidade: do funk para o mundo

Anitta é um camaleão. Ela muda de cabelo, faz plástica e não está nem aí. Clipes como o de Essa Mina é Louca mostram muito bem esse lado da cantora. Mas essa versatilidade não se limita ao estilo da cantora. O som da Anitta vai da boate ao trio elétrico. Ela é sensual e atrai os adultos, mas também tem seu Show das Poderosinhas para as crianças. Ela canta funk, pop, sertanejo, reggaeton e como esquecer da apresentação da poderosa na cerimônia de abertura dos jogos olímpicos ao lado do Gilberto Gil e do Caetano Veloso? A própria Anitta já afirmou em entrevista que está o tempo todo procurando novas tendências e estilos musicais para trazer para o Brasil e para seu público.

Co-branding
Lá vem mais um termo do marketing. O co-branding acontece quando duas ou mais marcas conhecidas no mercado se unem em para realizar uma ação ou para oferecer um produto para os seus consumidores e, dessa forma, se destacar perante os seus concorrentes. Sabe os feats com a Pabllo Vittar e com a Simone e Simaria? Co-branding. E, em menos de um ano, Anitta lançou sete singles com colaborações com artistas nacionais e internacionais. Isso garantiu para ela, em alguns momentos, praticamente um monopólio nas paradas musicais das rádios e das plataformas de streaming.

Mercado internacional: ela prefere o reggaeton
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No início de 2016, Anitta anunciou sua carreira internacional. Hoje ela já conta com colaborações com os colombianos Maluma e J Balvin, com a Iggy Azalea e com o Major Lazer. Mas algo que me chama atenção é o fato de que Anitta não foi “com muita sede ao pote”. Ao invés de cair no pop americano, a cantora decidiu investir no mercado latino, que é muito mais receptivo do que o mercado americano - que é patriota e extremamente mais concorrido. A estratégia é atingir o público latino, que é enorme - e também abrange os Estados Unidos, por exemplo. E o reggaeton vem conquistando o mundo inteiro, investir nesse gênero musical é certeiro.

Empoderamento feminino e público LGBT
Desde a polêmica com a Pitty, como citado anteriormente, quando se trata de empoderamento feminino, a Anitta só tem acertado. Além disso, ainda no começo de sua carreira, já era possível notar a diversidade nos dançarinos que acompanham a cantora na coreografia. Destaque para as dançarinas plus size que se apresentaram junto com ela em programas como Caldeirão do Hulk e Teleton.

Sabemos que há uma equipe muito bem empenhada em fazer tudo acontecer, mas desde que rompeu com sua empresária em 2014, a cantora tomou as rédeas de sua carreira e é responsável por todas as decisões que vem impulsionando sua carreira até então. Dito isso, não há como negar: Anitta é uma estrategista nata e isso precisa ser reconhecido. Não se trata de sorte ou seu sucesso é algo que acontece de um dia pro outro. É tudo fruto de trabalho duro, marketing e muito talento.

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3 comentários

  1. Que texto minha gente 👏👏👏👏

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  2. Acho que se a Anitta pudesse ler essa matéria sobre ela, ela se emocionaria. Estamos sedentas por uma representante mesmo, aquela que defendesse os nossos direitos e compreendesse o mundo feminino. A Larissa é uma das pessoas do Brasil que mais vem alcançando o público lá fora, mas ainda torço para que ela não se esqueça de compor mais músicas brasileiras.
    Sua descrição ficou incrível.
    http://unacaravela.blogspot.com.br/

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